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Paquistão



DADOS PRINCIPAIS:
Nome oficial: República Islâmica do Paquistão (Islami Jamhuriya-e-Pakistan).
Nacionalidade: paquistanesa.
Data nacional: 23 de março (Dia da Pátria); 14 de agosto (Independência).
Capital: Islamabad.
Cidades principais: Karachi (aglomerado urbano: 10.119.000 em 1996; cidade: 5.208.132 em 1981); Lahore (5.063.000), Faisalabad (1.977.000) (1998); Islamabad (204.364) (1981).
Idioma: urdu (oficial), punjabi, sindi, saricoli, ingês.
Religião: islamismo 95%, cristianismo 2%, hinduísmo 1,8%, outras 1,2% (1993).

GEOGRAFIA:
Localização: centro-sul da Ásia.
Hora local: + 8h.
Área: 796.095 km2.
Clima: árido subtropical.
Área de floresta: 17 mil km2 (1995).

POPULAÇÃO:
Total: 156,5 milhões (2000), sendo punjabis 49%, patanes 13%, sindis 13%, saricolis 10%, baluques 7%, outros 8% (1996).
Densidade: 196,58 hab./km2.
População urbana: 36% (1998).
População rural: 64% (1998).
Crescimento demográfico: 2,8% ao ano (1995-2000).
Fecundidade: 5,03 filhos por mulher (1995-2000).
Expectativa de vida M/F: 63/65 anos (1995-2000).
Mortalidade infantil: 74 por mil nascimentos (1995-2000).
Analfabetismo: 56,7% (2000).
IDH (0-1): 0,522 (1998).

POLÍTICA:
Forma de governo: República parlamentarista (ditadura militar desde 1999).
Divisão administrativa: 4 províncias, a capital federal (Islamabad) e áreas tribais.
Principais partidos: Liga Muçulmana do Paquistão (PML), do Povo do Paquistão (PPP), Movimento Muttahida Qaumi (MQM).
Legislativo: bicameral - Senado, com 87 membros eleitos por voto indireto para mandato de 6 anos; Assembléia Nacional, com 217 membros (207 eleitos por voto direto e 10 representantes de minorias não muçulmanas) com mandato de 5 anos. Suspenso desde 1999.
Constituição: suspensa desde 1999.

ECONOMIA:
Moeda: rúpia paquistanesa.
PIB: US$ 63,4 bilhões (1998).
PIB agropecuária: 26% (1998).
PIB indústria: 25% (1998).
PIB serviços: 49% (1998).
Crescimento do PIB: 4,2% ao ano (1990-1998).
Renda per capita: US$ 470 (1998).
Força de trabalho: 49 milhões (1998).
Agricultura: algodão em pluma, arroz, trigo, milho, cana-de-açúcar.
Pecuária: búfalos, ovinos, caprinos, aves.
Pesca: 597,2 mil t (1997).
Mineração: petróleo, gás natural, carvão.
Indústria: têxtil, alimentícia, refino de petróleo.
Exportações: US$ 8,5 bilhões (1998).
Importações: US$ 9,3 bilhões (1998).
Principais parceiros comerciais: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos.

DEFESA:
Efetivo total: 587 mil (1998).
Gastos: US$ 3,9 bilhões (1998).

RELAÇÕES EXTERIORES:
Organizações: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU.
Embaixada: SHIS QL 12 cj.2 cs.19 - Tel. (61) 3364-1632, fax (61) 3248-0246, e-mail: parepbra@brnet.com.br - Brasília, DF.



O Paquistão ( em urdu پاکستان , oficialmente República Islâmica do Paquistão, اسلامی جمہوریۂ پاکستان ), é um país do sul da Ásia. Localizado na região onde convergem o sul da Ásia, a Ásia Central e o Oriente Médio, o país limita com o Irã e o Afeganistão a oeste, a China a nordeste e a Índia a leste, ademais de ser banhado pelo Mar Arábico ao sul, com um litoral de 1 046 km de extensão.
O Paquistão é o sexto país do mundo em população e possui uma das maiores populações muçulmanas do planeta. Seu território pertenceu à Índia Britânica e tem uma longa história de assentamento e civilização, inclusive a civilização do Vale do Indo. A região já foi invadida por gregos, persas, árabes, afegãos, turcos e mongóis. Foi incorporado à Índia Britânica no século XIX. Desde a sua independência, o país tem se caracterizado por períodos de crescimento militar e econômico intercalados com instabilidade política.
O país foi oficialmente fundado como o Domínio do Paquistão em 1947, sob a chefia de Muhammad Ali Jinnah e a Liga Muçulmana, e foi renomeado República Islâmica do Paquistão em 1956. O Paquistão foi membro fundador da Organização da Conferência Islâmica, da Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional, do D8 e da Organização para Cooperação Econômica. Também é membro das Nações Unidas, da Organização Mundial do Comércio, do G33 e do Grupo dos 77. O Paquistão é uma potência nuclear, com um arsenal de armas atômicas.
Sua capital é Islamabad e sua maior cidade, Karachi.

Etimologia
Segundo J.P. Machado, o topônimo "Paquistão" foi criado em 1933 por Chaudhary Rahmat Ali para designar as regiões muçulmanas a noroeste da Índia, a partir das iniciais de Pandjab (Panjabe), Afghan (para os povos afegãos da área) e Kashmir (Caxemira), com o sufixo -stan (que representa o Baluchistão e significa "terra" em persa), formando PAKSTAN. Os paquistaneses relacionam o topônimo com o vocábulo pak ("puro", em persa e urdu), que daria ao nome do país o sentido de "Terra dos Puros".
História

O Estado moderno do Paquistão foi criado em 14 de agosto de 1947, na forma de dois territórios majoritariamente muçulmanos nas porções leste e noroeste da Índia Britânica, separados pela Índia, de maioria hindu. Integravam o Paquistão independente as províncias do Baluchistão, Bengala Oriental (futuro Paquistão Oriental e, mais tarde, Bangladesh), Fronteira Noroeste, Panjabe Ocidental e Sinde. A partilha da Índia Britânica resultou em distúrbios na Índia e no Paquistão - milhões de muçulmanos mudaram-se para o Paquistão, e milhões de hindus e siques mudaram-se para a Índia. Surgiram controvérsias entre os dois novos países quanto a diversos Estados principescos, como Jammu e Caxemira, cujo governante aderiu à Índia após uma invasão de guerreiros pachtos; como conseqüência, a Primeira Guerra Indo-Paquistanesa (1948) terminou com a ocupação pela Índia de cerca de dois-terços de Jammu e Caxemira.
Entre 1947 e 1956, o Paquistão foi um Dominion na Comunidade Britânica de Nações. A república, declarada em 1956, assistiu a um golpe de Estado por Ayub Khan (1958-1969), que presidiu o país durante um período de instabilidade interna e a segunda guerra com a Índia, em 1965. Seu sucessor, Yahya Khan (1969-1971), teve que lidar com o ciclone que causou 500 000 mortes no Paquistão Oriental.
A eclosão de discordâncias econômicas e políticas no Paquistão Oriental levou a uma violenta repressão política, que fez com que as tensões escalassem até chegar à guerra civil, conhecida como guerra de independência do Bangladesh, e a um novo conflito com a Índia. Como conseqüência, o Paquistão Oriental declarou-se independente, com o nome Bangladesh, em 1971. As estimativas sobre o número de mortos nesse episódio variam consideravelmente, entre menos de 30 000 e mais de 2 milhões, a depender da fonte.
Entre 1972 e 1977, os civis voltaram a governar o país, sob a chefia de Zulfikar Ali Bhutto, até que este foi deposto e posteriormente sentenciado à pena de morte, quando o General Zia-ul-Haq se tornou o terceiro presidente militar do Paquistão. Zia substituiu as políticas seculares pelo código legal da charia islâmica, o que aumentou a influência religiosa sobre o funcionalismo público e os militares. Com a morte de Zia num acidente aéreo em 1988, Benazir Bhutto, filha de Zulfikar Ali Bhutto, foi eleita para o cargo de primeira-ministra do Paquistão - a primeira e única mulher a ocupar o posto. Ao longo da década seguinte, Benazir alternou-se no poder com Nawaz Sharif, enquanto que a situação política e econômica do país piorava.
O Paquistão enviou 5 000 soldados à Guerra do Golfo, em 1991, para proteger a Arábia Saudita. Às tensões militares durante o conflito de Kargil com a Índia seguiu-se um golpe de Estado, em 1999, no qual o General Pervez Musharraf assumiu o poder Executivo. Em 2001, Musharraf autonomeou-se presidente, com a renúncia forçada de Rafiq Tarar. Após as eleições legislativas de 2002, Musharraf transferiu os poderes executivos para um recém-eleito primeiro-ministro, Zafarullah Khan Jamali. Em 15 de novembro de 2007, o mandato da Assembléia Nacional expirou, o que levou à constituição de um governo provisório chefiado pelo ex-presidente do Senado, Muhammad Mian Soomro. O assassinato em dezembro de 2007 de Benazir Bhutto reflete a instabilidade do sistema político paquistanês.
Em setembro de 2008, Musharraf renunciou à presidência do país, que após eleições indiretas, elegeu Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, como presidente.
Política
Pelos primeiros nove anos após a independência, o governo do Paquistão baseou-se no Government of India Act, de 1935 (a última constituição da Índia Britânica). A primeira constituição paquistanesa, promulgada em 1956, foi suspensa em 1958 pelo General Ayub Khan. A constituição de 1973, suspensa em 1977 por Zia-ul-Haq, foi retomada em 1991 e é o documento legal mais importante do país.
O Paquistão é uma república semipresidencialista federal que tem o Islã como religião oficial. O poder Legislativo é bicameral e divide-se entre o Senado, com 100 cadeiras, e a Assembléia Nacional, com 342 assentos. O presidente, escolhido por um colégio eleitoral, é o chefe de Estado e o comandante-em-chefe das forças armadas. O primeiro-ministro é geralmente o chefe do maior partido representado na Assembléia Nacional. Cada província possui um sistema de governo similar ao federal, com uma assembléia provincial eleita pelo voto direto na qual o líder do maior partido é o chefe de governo. Os governadores provinciais são nomeados pelo presidente.
As forças armadas paquistanesas têm desempenhado um papel influente na política do país. Ao longo da história, presidentes militares governaram entre 1958-1971, 1977-88 e de 1999 em diante. O PPP, de esquerda, chefiado por Zulfikar Ali Bhutto, emergiu como um grande partido político durante os anos 1970. Durante o governo militar de Muhammad Zia-ul-Haq, o Paquistão deixou para trás as políticas de secularismo herdadas do Reino Unido, ao adotar a charia e outras leis baseadas no Islã. Os anos 1990 foram caracterizados por um sistema político de coalizão dominado pelo PPP e pela Liga Muçulmana.
Nas eleições gerais de outubro de 2002, a Liga Muçulmana do Paquistão ganhou a maioria dos assentos da Assembléia Nacional, seguido por uma facção do PPP, os Parlamentares do Partido do Povo Paquistanês (PPPP). Zafarullah Khan Jamali, da Liga Muçulmana, tornou-se primeiro-ministro, mas renunciou em 26 de junho de 2004 e foi substituído interinamente por Chaudhry Shujaat Hussain. Em 28 de agosto de 2004, a Assembléia Nacional elegeu Shaukat Aziz, até então o ministro da Fazenda, como primeiro-ministro. A Muttahida Majlis-e-Amal, uma coalizão de partidos religiosos islâmicos, venceu eleições na província da Fronteira Noroeste, ampliando sua bancada na Assembléia Nacional.
Em 3 de novembro de 2007, o Presidente Pervez Musharraf declarou estado de emergência e suspendeu a constituição. Chefes políticos da oposição foram colocados em prisão domiciliar e o presidente da Suprema Corte foi substituído. Em resposta, a Comunidade Britânica de Nações suspendeu a participação do país em suas deliberações.
Depois de eleições em Fevereiro de 2008, a "Commonwealth" retirou a suspensão.
Relações exteriores
O Paquistão participa ativamente das Nações Unidas e da Organização da Conferência Islâmica. Integra também a Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional e a Organização para Cooperação Econômica. No passado, as relações do Paquistão com os Estados Unidos passaram por períodos de aproximação e de afastamento. Nos anos 1950, o país, membro da CENTO e da SEATO, era visto pelos EUA como o "aliado mais aliado na Ásia".[16] Durante a invasão soviética do Afeganistão, nos anos 1980, o Paquistão foi um aliado crucial dos EUA, mas as relações esfriaram nos anos 1990, com a aplicação de sanções pelos EUA, que suspeitavam as atividades nucleares paquistanesas. A partir dos ataques de 11 de setembro de 2001, as relações bilaterais melhoraram, especialmente depois que o Paquistão deixou de apoiar o regime dos talibãs, em Cabul. Com isto, a ajuda militar estadunidense foi fortemente ampliada.
Forças armadas

De caráter completamente voluntário, as forças armadas do Paquistão são as sétimas maiores do mundo. As três principais forças são o exército, a marinha e a força aérea, apoiadas por algumas organizações paramilitares responsáveis pela segurança interna e pela patrulha das fronteiras.
O Paquistão é uma potência nuclear.
As forças armadas paquistanesas estão entre os maiores contribuintes de tropas para operações de manutenção da paz das Nações Unidas; mais de 10 000 homens foram empregados nessa área em 2007. O Paquistão enviou um contingente à primeira guerra do Golfo.
Subdivisões
O Paquistão é uma federação com quatro províncias, um distrito federal e áreas tribais administradas pelo governo federal. O governo paquistanês exerce jurisdição de fato sobre partes da Caxemira, a chamada Caxemira Livre e as Áreas do Norte. O Paquistão também reivindica o estado indiano de Jammu e Caxemira.
O terceiro nível de divisão administrativa do país é composto por distritos, subdivididos em tehsils e conselhos locais. Cada nível conta com órgãos eleitos. Atualmente há 107 distritos no Paquistão propriamente dito. As áreas tribais compreendem diversas "agências" e seis pequenas regiões de fronteira, enquanto que a Caxemira Livre é formada por sete distritos e as Áreas do Norte, por seis.
Partes da Caxemira administradas pelo Paquistão
Caxemira Livre (ou Azad Kashmir: "azad" significa "livre" em urdu)
Gilgit Baltistão
Geografia


A área do Paquistão é de 881 640 km², equivalente à soma das superfícies de França e Reino Unido (ou de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, no Brasil). A região leste do país encontra-se sobre a placa tectônica indiana, enquanto que as regiões oeste e norte estão no planalto iraniano e sobre a placa eurasiática. Com 1 046 km de litoral no mar Arábico, o Paquistão possui 6 774 km de fronteiras - 2 430 km com o Afeganistão a noroeste, 523 km com a China a nordeste, 2 912 km com a Índia a leste e 909 km com o Irã a sudoeste.
Os acidentes naturais encontrados no país incluem desde praias arenosas, lagunas e manguezais, na costa meridional, até florestas temperadas e os picos gelados do Himalaia, do Caracórum e do Hindu Kush, ao norte. Estima-se que o país possua 108 picos acima de 7 000 m, cobertos por neve e geleiras. Cinco das montanhas do Paquistão ultrapassam os 8 000 m. O rio Indo corta o país de norte a sul, descendo do planalto tibetano (Caxemira) até desaguar no mar Arábico. A oeste do Indo estão os desertos secos e acidentados do Baluchistão; a leste, o deserto de Thar. O Panjabe e partes do Sinde são formados por planícies férteis com importante atividade agrícola.
O clima é variado, com invernos frios e verões quentes no norte, e com um clima ameno no sul, moderado pela influência do oceano. No centro do país, os verões são muitos quentes, com temperaturas que podem atingir 45°C, seguidos de invernos bem frios, com freqüência abaixo de zero grau. A precipitação é baixa, entre menos de 250 mm e mais de 1 250 mm, em geral trazida pelas monções de sudoeste no final do verão.
Economia
O Paquistão é um país em desenvolvimento com um rápido crescimento econômico (7% anuais por quatro anos consecutivos até 2007 ) e um grande mercado emergente. Apesar de ter sido um país pobre em 1947, a taxa de crescimento econômico do Paquistão foi mais alta do que a média mundial durante as quatro décadas seguintes. Embora políticas imprudentes tenham reduzido o ímpeto da economia no final dos anos 1990, reformas econômicas recentes voltaram a acelerar o crescimento do país, em especial na área de manufaturas e de serviços financeiros. A situação cambial melhorou consideravelmente, com o acúmulo de divisas. A dívida externa, estimada em cerca de USD 40 bilhões, foi reduzida nos últimos anos devido à assistência do FMI e ao auxílio financeiro dos EUA.
Estima-se que o PIB paquistanês (PPC) em USD 475,4 bilhões e a renda per capita, em USD 2 942.. A taxa de pobreza é estimada entre 23% e 28%. As taxas de crescimento econômico do Paquistão têm sido altas nos últimos cinco anos terminados em 2007, mas as pressões inflacionárias e um baixa poupança nacional, dentre outros fatores, podem dificultar a manutenção desse ritmo.
A estrutura da economia paquistanesa passou de uma base predominantemente agrícola para outra fortemente ligada ao setor de serviços. A agricultura hoje responde por cerca de 20% do PIB, enquanto que o setor de serviços corresponde a 53% do PIB, dos quais 30% referem-se ao comércio de atacado e de varejo. O país tem recebido investimento direto estrangeiro em diversas áreas, como telecomunicações, imóveis e energia. Software, automóveis, têxteis, cimento, fertilizantes, aço, construção naval, indústria bélica e segmento aeroespacial também são setores industriais importantes.
Em novembro de 2006, China e Paquistão assinaram um acordo de livre comércio com o qual pretendem triplicar o comércio bilateral, de USD 4,2 bilhões para USD 15 bilhões nos próximos cinco anos.
Demografia

A população do Paquistão é estimada em 164 000 000 habitantes em 2009, a sexta maior do mundo, logo após a do Brasil. Prevê-se que a população paquistanesa ultrapasse a brasileira em número por volta de 2020, devido à alta taxa de crescimento populacional. Apesar das dificuldades inerentes à baixa exatidão do censo e das pesquisas relativas à taxa de fertilidade, os demógrafos crêem que o crescimento populacional atingiu o auge na década de 1980, reduzindo-se consideravelmente desde então. A taxa de mortalidade infantil é alta, da ordem de 70 por mil nascimentos.
Os principais grupos étnicos do país são os panjabis (44,68% da população), os pachtos (15,42%), os sindis (14,1%), os seraikis (10,53%), os muhajires (7,57%), os balúchis (3,57%) e outros (4,66%). Em novembro de 2007, cerca de 2 milhões de refugiados afegãos continuavam registrados no Paquistão, devido à guerra e à instabilidade no Afeganistão.
A língua materna em geral corresponde ao grupo étnico no país. Apesar de ser a língua materna de uma minoria, o urdu é o idioma nacional e a língua franca do Paquistão, enquanto que o inglês é a língua oficial, usada na constituição e amplamente empregada nos negócios e nas universidades pela elite urbana culta. O panjabi é falado por mais de 60 milhões de pessoas, mas não goza de reconhecimento oficial no país.
A demografia religiosa foi fortemente influenciada pelo movimento transfronteiriço de 1947 entre o Paquistão e a Índia. Naquele ano, houve uma maciça imigração de muçulmanos da Índia para o Paquistão e de hindus e siques no sentido oposto. O censo indica que 96% da população são muçulmanos (cerca de 77% são sunitas e 20%, xiitas). As minorias religiosas incluem hindus (1,85%), cristãos (1,6%), ademais de alguns poucos representantes siques, parses, ahmadis, budistas, judeus e animistas. O Paquistão é o segundo país de maioria muçulmana mais populoso do mundo, e possui a segunda maior população xiita do planeta.
Cultura
O Paquistão possui uma rica e singular cultura que preserva tradições estabelecidas ao longo da história. Muitos hábitos, alimentos, monumentos e santuários são herança dos impérios mogol e afegão. O traje nacional, chamado shalwar qamiz, é proveniente de invasores nômades turco-iranianos da Ásia Central. Nos centros urbanos os trajes ocidentais são populares entre a juventude e os empresários.
A sociedade paquistanesa é multilingüística e predominantemente muçulmana, que tem em alta conta os valores familiares tradicionais, embora as famílias urbanas tenham adotado o sistema do núcleo familiar, devido às restrições sócio-econômicas impostas pelo sistema tradicional. As últimas décadas assistiram ao surgimento de uma classe média em cidades como Karachi, Lahore, Rawalpindi, Hiderabade, Faisalabad e Peshawar, cujos integrantes são considerados liberais, por oposição às regiões a noroeste, na fronteira com o Afeganistão, que permanecem conservadoras e dominadas por costumes tribais centenários. A globalização aumentou a influência da cultura ocidental no país. Cerca de quatro milhões de paquistaneses vivem no exterior, dos quais quase meio milhão residem nos EUA e cerca de uma milhão, na Arábia Saudita. Aproximadamente um milhão de descendentes de paquistaneses vivem no Reino Unido.
Música
A música paquistanesa vai de melodias folclóricas provinciais e estilos tradicionais até formas modernas que fundem música ocidental e tradicional. A chegada de refugiados afegãos nas províncias ocidentais reavivou a música pachta e persa e transformou Peshawar num foco para músicos afegãos e num centro de distribuição da música do Afeganistão.
Arquitetura
A arquitetura da região correspondente ao atual Paquistão passou por quatro períodos históricos distintos, o pré-islâmico, o islâmico, o colonial e o pós-colonial. A civilização do Vale do Indo, surgida em meados do terceiro milênio a.C., permitiu o desenvolvimento de uma cultura urbana avançada pela primeira vez na área, com grandes instalações estruturais que, em alguns casos, ainda existem. Mohenjo Daro, Harappa e Kot Diji pertencem à era de assentamentos pré-islâmicos. A chegada do budismo e a influência persa e grega levou ao desenvolvimento do estilo greco-budista a partir do século I. O zênite desta época foi o estilo Gandhara. As ruínas do mosteiro budista de Takht-i-Bahi, na Província de Noroeste, são um exemplo da arquitetura budista.
A chegada do Islã na região provocou o fim súbito da arquitetura budista. Ocorreu então uma transição para uma arquitetura islâmica sem representação de imagens. O edifício mais importante do estilo persa é a tumba do Xá Rukn-i-Alam, em Multan. Durante a era mogol, elementos artísticos da arquitetura islâmico-persa produziram formas freqüentemente alegres da arquitetura hindustâni. Lahore, residência episódica dos governantes mogóis, contém um bom número de edifícios importantes da era mogol, como a mesquita Badshahi, a fortaleza de Lahore e a mesquita Wazir Khan, dentre outros. A era colonial britânica assistiu à construção de edifícios do estilo indo-europeu, com uma mescla de elementos europeus e indo-islâmicos. A identidade nacional pós-colonial é expressa por estruturas modernas como a mesquita Faisal, o Minar-e-Pakistan e o Mazar-e-Quaid.
Literatura
A atual literatura paquistanesa é composta em urdu, sindi, panjabi, pachto, balúchi e inglês. No passado, também era expressa em persa. Antes do século XIX, constituía-se de poesia lírica e material religioso, místico e popular. Atualmente, o gênero de contos é particularmente popular. O poeta nacional paquistanês, Muhammad Iqbal, escreveu principalmente em persa, além de urdu, tratando de temas da filosofia islâmica.
O expoente mais conhecido da literatura urdu contemporânea é Faiz Ahmed Faiz. Mirza Kalich Beg é considerado o pai da prosa sindi moderna. A tradição literária pachta contém poesia lírica e poemas épicos. Na língua balúchi, canções e baladas são populares.


Referência para busca:
Paquistão ásia urdu inglês
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